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Descartes: Suas Amizades Femininas

Descartes: Suas Amizades Femininas

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Coleção Diálogos Imortais — Descartes: Suas Amizades Femininas

A Coleção Diálogos Imortais apresenta uma obra essencial para revelar a face mais humana — e frequentemente silenciada — de René Descartes (1596–1650). A partir da pesquisa meticulosa de Charles Adam, um dos mais importantes estudiosos da vida e dos manuscritos cartesianos, o livro reconstrói as relações femininas que acompanharam o filósofo desde a infância até seus últimos anos, mostrando como esses vínculos moldaram sua trajetória intelectual, afetiva e até política.

Longe do estereótipo do pensador isolado, Descartes: Suas Amizades Femininas revela um filósofo em constante diálogo com mulheres cultas, sensíveis e intelectualmente atentas — interlocutoras que influenciaram sua obra e contribuíram para a formação da própria filosofia moderna.


Estrutura da obra

O volume apresenta um panorama abrangente e rigorosamente documentado da vida relacional de Descartes, organizado em eixos temáticos que acompanham seu percurso pela Europa:

  • sua infância e as primeiras referências femininas;

  • a vida em Paris e nas províncias, em contato com famílias influentes;

  • os anos de estudo, convivência e sociabilidade na França e no exterior;

  • o período holandês e os círculos que o acolheram no exílio voluntário;

  • sua experiência na Suécia e os desafios da corte de Cristina;

  • capítulos aprofundados dedicados às amizades com Elisabeth da Boêmia e Cristina da Suécia;

  • notas, glossário, linha do tempo e aparato crítico.

A edição brasileira conta com tradução e notas de Gabriela Jardim, edição crítica de Henriete Karam, revisão de Fernanda B. Schwerdtner, diagramação de Eduardo de Oliveira e projeto gráfico de Vicente Pessôa e Lucas G. G. de Macêdo.


Conteúdo filosófico

Inserido no contexto intelectual dos séculos XVII e XVIII — período marcado pela intensa participação feminina em salões, correspondências e debates —, o estudo de Adam destaca a relevância dessas interlocuções para o desenvolvimento da filosofia moderna.

Entre as figuras centrais apresentadas na obra:

  • Elisabeth da Boêmia, cuja correspondência com Descartes se tornou um dos diálogos filosóficos mais profundos do período, abordando corpo, mente, paixões e moral;

  • Cristina da Suécia, cujo ambiente austero e intelectual exigiu de Descartes novos posicionamentos éticos e doutrinários;

  • mulheres ligadas ao convívio doméstico do filósofo, fundamentais para compreender sua dimensão afetiva e cotidiana;

  • redes femininas na França, na Holanda e na Suécia, que colaboraram para a circulação e recepção de sua obra.

As amizades femininas, longe de serem ornamentais ou episódicas, exerceram influência direta sobre seu pensamento e sua atuação pública.


Importância filosófica

A pesquisa de Charles Adam desestabiliza a imagem tradicional do “filósofo solitário” ao revelar:

  • a participação ativa das mulheres na formação da filosofia moderna;

  • a maneira como interlocuções femininas contribuíram para a reflexão cartesiana sobre vontade, paixões, razão e moral;

  • elementos históricos e biográficos que iluminam decisões e inflexões na obra de Descartes;

  • o desejo declarado do filósofo de ampliar a acessibilidade de seus textos — inclusive às mulheres, como escreveu ao Pe. Vatier.

Ao recompor essas relações, a obra amplia e enriquece a compreensão da filosofia cartesiana e de seu impacto na cultura ocidental.


Influência histórica

As amizades femininas de Descartes desempenharam papel decisivo não apenas em sua vida, mas também na recepção e preservação de sua obra. O livro evidencia:

  • a contribuição dessas mulheres para a circulação dos textos cartesianos;

  • a inserção de Descartes em debates internacionais por meio de suas interlocutoras;

  • a importância da correspondência com Elisabeth e Cristina para a história da filosofia, da filologia e dos estudos modernos;

  • o papel dessas figuras na constituição da filosofia moderna, especialmente na reflexão sobre ética, subjetividade e racionalidade.

Trata-se, portanto, de um resgate histórico que devolve protagonismo a mulheres apagadas, mas fundamentais na formação intelectual de Descartes.


Público-alvo

  • leitores de filosofia moderna, biografia intelectual e história das ideias;

  • estudiosos de história das mulheres, epistolografia e estudos de gênero;

  • interessados na dimensão pessoal, relacional e afetiva dos grandes pensadores;

  • público geral que deseja acessar um retrato mais humano, complexo e acessível de Descartes.

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