Logos Editora
BOX 15: A Poética Comentada - Aristóteles
BOX 15: A Poética Comentada - Aristóteles
Não foi possível carregar a disponibilidade de retirada.
O Utilitarismo
1. Informações Gerais (Editorial)
Título original da obra: Utilitarianism
Título corrente em português: O Utilitarismo (também publicado como Utilitarismo), aqui considerado em edição comentada.
Autor: John Stuart Mill (1806–1873)
País de origem: Reino Unido (nascido em Londres, Inglaterra)
Gênero: Filosofia moral; ética normativa; filosofia política.
Período de composição: Publicado originalmente em forma de artigos na revista Fraser's Magazine em 1861 e reunido em livro em 1863. A obra foi escrita durante a maturidade intelectual de Mill, quando o autor já era uma das principais figuras do liberalismo e da filosofia britânica do século XIX.
Idioma original: Inglês.
Estrutura: O texto é composto por cinco capítulos. No primeiro, Mill apresenta considerações gerais sobre a natureza da moralidade. No segundo, expõe o princípio da utilidade. No terceiro, discute a sanção última do princípio utilitarista. No quarto, trata da prova do princípio da utilidade. No quinto e último capítulo, examina a relação entre utilidade e justiça. Em edições comentadas, a obra costuma ser acompanhada de introduções históricas, notas explicativas, cronologias da vida do autor e ensaios sobre o desenvolvimento do utilitarismo desde Jeremy Bentham até seus desdobramentos contemporâneos.
Lugar canônico na tradição: O Utilitarismo é uma das obras fundamentais da ética moderna e a principal formulação clássica do utilitarismo em sua versão mais sofisticada. Constitui leitura indispensável para estudantes e pesquisadores de filosofia moral, filosofia política, teoria do direito e ciências sociais.
2. Informações de Contexto, Conteúdo e Forma da Obra (MKT)
Sinopse
Poucas obras exerceram influência tão ampla sobre a reflexão moral moderna quanto O Utilitarismo, de John Stuart Mill. Escrito em resposta às críticas dirigidas ao utilitarismo formulado por Jeremy Bentham, o livro procura demonstrar que a moralidade pode ser fundamentada racionalmente na promoção da felicidade humana.
Segundo Mill, as ações são moralmente corretas na medida em que tendem a promover a felicidade e erradas quando produzem o contrário. Contudo, diferentemente de Bentham, Mill sustenta que existem diferenças qualitativas entre os prazeres, defendendo que certos bens intelectuais, morais e culturais possuem valor superior aos prazeres meramente sensoriais.
Ao longo da obra, o autor procura responder objeções tradicionais ao utilitarismo, esclarecer sua relação com a justiça e demonstrar que a busca do bem-estar coletivo pode servir como fundamento racional da vida moral. Em edições comentadas, o leitor encontra explicações sobre os conceitos centrais do pensamento de Mill, seu diálogo com Bentham, sua influência liberal e o impacto duradouro de sua teoria na ética contemporânea.
Eixos temáticos centrais
a. O princípio da utilidade
Mill define a utilidade como o critério fundamental da moralidade. Uma ação é correta quando contribui para aumentar a felicidade geral e incorreta quando produz sofrimento ou reduz o bem-estar dos indivíduos afetados.
b. A felicidade como fim da ação humana
A felicidade é entendida como prazer e ausência de dor. Entretanto, Mill amplia significativamente o conceito, incorporando dimensões intelectuais, afetivas, culturais e morais da experiência humana.
c. A distinção entre prazeres superiores e inferiores
Uma das contribuições mais conhecidas da obra consiste na defesa de que alguns prazeres possuem qualidade superior a outros. Prazeres associados ao intelecto, à imaginação e ao desenvolvimento moral são considerados mais elevados que os prazeres puramente físicos.
d. A prova do princípio utilitarista
Mill busca demonstrar que a felicidade é desejável porque é efetivamente desejada pelos seres humanos. A partir dessa observação, argumenta que a felicidade geral constitui o único fim moralmente justificável.
e. Justiça e utilidade
O último capítulo procura reconciliar o ideal de justiça com o princípio utilitarista. Mill sustenta que direitos, deveres e instituições justas possuem valor precisamente porque promovem a segurança e o bem-estar coletivo.
f. Moralidade e sanções sociais
A obra examina as motivações que levam os indivíduos a agir moralmente, distinguindo sanções externas — como a aprovação social e as leis — das sanções internas, ligadas à consciência e ao sentimento de humanidade.
g. Liberalismo e progresso moral
Embora centrado na ética, o texto reflete o compromisso de Mill com os ideais liberais de liberdade individual, desenvolvimento humano e aperfeiçoamento social, temas que aparecem em estreita relação com sua filosofia política.
Palavras-chave
John Stuart Mill; utilitarismo; ética; filosofia moral; felicidade; prazer; justiça; liberalismo; Jeremy Bentham; consequencialismo; bem-estar; moralidade; direitos; felicidade geral; filosofia política.
3. Outras Informações Relevantes e Curiosidades
O Utilitarismo foi escrito em parte para responder às críticas dirigidas ao utilitarismo benthamita, frequentemente acusado de reduzir toda a vida moral à busca de prazeres imediatos e quantitativamente mensuráveis.
A famosa afirmação de Mill de que "é melhor ser um ser humano insatisfeito do que um porco satisfeito; melhor ser Sócrates insatisfeito do que um tolo satisfeito" tornou-se uma das passagens mais citadas da filosofia moral moderna, sintetizando sua defesa dos prazeres superiores.
A obra dialoga diretamente com o pensamento de Jeremy Bentham, mas também incorpora influências do romantismo, do idealismo e da tradição liberal britânica, conferindo ao utilitarismo uma dimensão mais humanista do que aquela presente em suas formulações iniciais.
As discussões desenvolvidas por Mill continuam centrais em debates contemporâneos sobre políticas públicas, bioética, economia do bem-estar, direitos humanos e teoria da justiça, tornando O Utilitarismo um dos textos mais influentes da filosofia prática dos últimos dois séculos.
Mesmo após mais de 160 anos de sua publicação, a obra permanece objeto de novas traduções, comentários e interpretações, sendo considerada um dos clássicos incontornáveis da ética ocidental.
Share
