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BOX 10: A Rebelião das Massas - José Ortega y Gasset

BOX 10: A Rebelião das Massas - José Ortega y Gasset

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A rebelião das massas

José Ortega y Gasset

O diagnóstico clássico da modernidade europeia

Publicado originalmente em 1930, A rebelião das massas é um dos ensaios mais influentes da filosofia social do século XX. José Ortega y Gasset identifica como fato decisivo de seu tempo a ascensão de um novo tipo humano — o homem-massa — ao comando da vida pública.

Mais do que uma análise política, esta obra é um retrato profundo das transformações espirituais da modernidade: o progresso técnico, a democratização e o aumento do bem-estar elevaram o nível médio da vida, mas não produziram, na mesma proporção, disciplina interior, responsabilidade e projeto histórico.


O que é o “homem-massa”?

Ortega é direto: massa não é uma classe social. “Massa” é uma estrutura vital — um modo de ser.

O homem-massa vive satisfeito consigo mesmo, recusa instâncias superiores de orientação, toma suas próprias opiniões como critério suficiente e carece de exigência interior. Ele tende a agir por imposição, segundo o regime da ação direta: sem mediação, sem procedimento, sem consideração.

Esse tipo humano herda conquistas sem compreender seus fundamentos e vive sem projeto temporal, como se a civilização fosse algo espontâneo e garantido.


A crise: autoridade, cultura e barbárie moderna

A crise descrita em A rebelião das massas é, antes de tudo, uma crise de autoridade. O homem-massa não reconhece nada acima de si; por isso, a autoridade legítima se dissolve e o mando se converte em coerção.

Essa estrutura psicológica reaparece politicamente em formas de totalitarismo, que substituem mediação por imposição e pluralidade por homogeneização.

Ortega analisa também fenômenos decisivos da modernidade:

  • a barbárie moderna (um primitivismo espiritual instalado dentro da civilização técnica)

  • o especialismo (o saber fragmentado que perde a visão de conjunto cultural)

  • a tendência à estatização da vida, quando o Estado absorve a espontaneidade social e sufoca minorias criadoras


Massa e minoria qualificada: a ideia de nobreza

A distinção central do livro é entre:

  • massa: o tipo humano que vive segundo critérios médios e os toma como norma universal

  • minoria qualificada: indivíduos que vivem a existência como tarefa, sob autoexigência, disciplina interior e orientação por valores superiores

Ortega chama essa forma de vida de nobreza — não como privilégio social, mas como estrutura interior fundada no esforço espontâneo, na responsabilidade e no serviço a algo que transcende o indivíduo.


Ortega é antidemocrático?

Não. Ortega não rejeita a democracia nem o liberalismo. Ao contrário: ele considera a democracia liberal uma das formas mais altas de convivência, justamente porque exige maturidade moral e capacidade de conviver com a diferença.

O problema é que essas formas políticas passaram a ser sustentadas por um tipo humano incapaz de mantê-las: o homem-massa, que não suporta limites, não reconhece excelência e tende a esmagar toda minoria criadora.


Um livro premonitório (e atual)

Escrito às vésperas da ascensão dos regimes totalitários europeus, A rebelião das massas tornou-se célebre por sua força premonitória. Ortega antecipa debates que atravessariam o século XX — e que permanecem centrais no presente: cultura de massas, tecnocracia, crise de autoridade, mediocridade como norma, fragilidade da vida liberal e dissolução do projeto histórico europeu.


Edição bilíngue e riquissimamente anotada

Esta edição apresenta um trabalho editorial de referência:

  • Edição bilíngue (espanhol–português)

  • Tradução de Uriel Irigaray Araújo

  • Apresentação de Alexandre Sugamoso

  • Notas de contextualização histórica e linguística do tradutor e do editor

  • Aproximadamente 500 notas, para leitura rigorosa e consulta

  • Projeto gráfico e acabamento cuidadosamente concebidos


Para quem é este livro

  • leitores interessados em filosofia social e política

  • estudantes e pesquisadores de ciências humanas

  • leitores que desejam compreender as tensões centrais do século XX

  • quem busca um clássico essencial para pensar a crise contemporânea


Sobre o autor

José Ortega y Gasset (1883–1955) foi o filósofo espanhol de maior projeção internacional do século XX. Sua escrita combina rigor filosófico e clareza ensaística, com forte vocação pública. Fundador da Revista de Occidente, Ortega influenciou decisivamente o pensamento filosófico na Espanha e na América Latina.

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