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BOX 15 - A Poética Comentada - Aristóteles
BOX 15 - A Poética Comentada - Aristóteles
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A Poética Comentada, Aristóteles
1. Informações Gerais (Editorial)
Título original da obra: Περὶ ποιητικῆς (Perì poiētikês)
Título corrente em português: Poética (também chamada Arte Poética), aqui apresentada em edição comentada
Autor: Aristóteles (384–322 a.C.)
País de origem: Grécia Antiga (nascido em Estagira, na Calcídica; atividade filosófica desenvolvida principalmente em Atenas, onde fundou o Liceu)
Gênero: Filosofia da arte; teoria literária e dramática; tratado técnico de poética.
Período de composição: Escrita provavelmente na maturidade do filósofo, entre 335 e 323 a.C., durante sua atividade docente no Liceu. A datação precisa permanece incerta entre os especialistas.
Idioma original: Grego antigo.
Estrutura: O texto chegou incompleto à posteridade: sobrevive a parte dedicada à epopeia e, sobretudo, à tragédia, enquanto o tratamento prometido da comédia se perdeu. Em edição comentada, o texto aristotélico é acompanhado de introdução, notas explicativas capítulo a capítulo e, frequentemente, apêndices que situam a obra no conjunto do pensamento de Aristóteles e na tradição da crítica literária ocidental. Entre as edições comentadas de referência em português estão a de Eudoro de Sousa (Guimarães Editores, 1951; revista e ampliada pela Editora Globo em 1966; hoje em sua 9ª edição pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda) e a edição bilíngue de Paulo Pinheiro (Editora 34, 2015), com tradução direta do grego e notas extensas.
Lugar canônico na tradição: A Poética é o primeiro tratado sistemático de teoria literária e dramática do Ocidente, e suas edições comentadas são instrumento indispensável para estudantes e pesquisadores de filosofia da arte, letras clássicas e teoria do teatro.
2. Informações de Contexto, Conteúdo e Forma da Obra (MKT)
Sinopse
Poucos textos da Antiguidade exerceram influência tão duradoura sobre a cultura ocidental quanto a Poética de Aristóteles. Nela, o filósofo grego elabora o primeiro tratado conhecido a examinar sistematicamente a natureza da poesia e, especialmente, da tragédia, gênero então em pleno florescimento na cultura helênica clássica.
Por seu caráter condensado, fragmentário e, em muitos pontos, elíptico — característico dos chamados escritos acroamáticos de Aristóteles, isto é, anotações de curso não destinadas originalmente à publicação —, a Poética exige, mais do que qualquer outro tratado aristotélico, um aparato de comentário que oriente o leitor através de seus conceitos técnicos e de suas referências a peças e autores gregos hoje em grande parte perdidos.
Em edição comentada, como a de Eudoro de Sousa, o leitor encontra não apenas a tradução do texto grego, mas também prefácio, introdução, notas e apêndices que esclarecem noções centrais como mímesis, catarse, peripécia e anagnórise, situando a obra no conjunto da filosofia aristotélica e na tradição da crítica literária que dela se originou.
Eixos temáticos centrais
a. A definição de mímesis
Aristóteles compreende a poesia como imitação (mímesis) da ação humana, conceito fundamental que distingue entre si as diferentes artes poéticas e que se tornaria um dos pilares da estética ocidental.
b. A teoria da tragédia
A obra dedica-se principalmente à análise da tragédia, definindo seus elementos constitutivos — enredo, caráter, elocução, pensamento, espetáculo e melodia — e estabelecendo o enredo (mythos) como o elemento mais importante da composição trágica.
c. Catarse e a função da arte
O conceito de catarse, a purificação das emoções de pena e temor provocada pela tragédia, é um dos pontos mais debatidos pelos comentadores, que oferecem leituras distintas sobre seu sentido exato dentro do sistema aristotélico.
d. Peripécia e anagnórise
São examinados os mecanismos dramáticos da reviravolta de fortuna (peripécia) e do reconhecimento (anagnórise), elementos estruturais que, segundo Aristóteles, intensificam o efeito trágico quando combinados.
e. O caráter fragmentário e acroamático do texto
Os comentadores situam a Poética entre os escritos não destinados à publicação em vida do autor, o que explica seu estilo denso e a necessidade de notas explicativas para sua compreensão plena.
f. Diálogo com a tradição filosófica e religiosa grega
O aparato de comentário situa a obra em diálogo com outros textos aristotélicos, como a Ética e a Retórica, e com a tradição mítico-religiosa grega, incluindo o culto dionisíaco associado à origem da tragédia.
g. Recepção e influência posterior
Os comentários acompanham a recepção da obra desde as paráfrases latinas e italianas do Renascimento até a teoria do drama e a crítica literária contemporâneas, evidenciando sua permanência como referência viva.
Palavras-chave
Aristóteles; Poética; edição comentada; mímesis; catarse; tragédia grega; teoria literária; Eudoro de Sousa; Paulo Pinheiro; filosofia da arte; estética clássica; peripécia; anagnórise; teatro grego antigo.
3. Outras Informações Relevantes e Curiosidades
A Poética é, junto com a Retórica, um dos textos fundadores da crítica literária e da teoria da composição dramática no Ocidente, tendo influenciado autores e teóricos desde o Renascimento, como Horácio em sua própria Arte Poética, até a dramaturgia clássica francesa do século XVII.
A tradução comentada de Eudoro de Sousa, publicada inicialmente em 1951 e revista em 1966, é considerada um marco dos estudos clássicos em língua portuguesa e permanece em catálogo até hoje pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, em Portugal.
A edição bilíngue comentada de Paulo Pinheiro (Editora 34, 2015) ofereceu ao leitor uma tradução que privilegia a clareza do conteúdo, acompanhada de notas que comparam as principais traduções francesas, inglesas, italianas e portuguesas da obra.
Apesar de sua brevidade e de seu estado fragmentário — a parte dedicada à comédia não sobreviveu —, a Poética continua sendo objeto de novas traduções e edições comentadas em todo o mundo, o que atesta sua vitalidade como um dos textos fundamentais da história do pensamento sobre a arte.
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